WhatsApp no negócio: os riscos, e as práticas que os evitam

O WhatsApp tornou-se o canal de venda de muita empresa em Moçambique, e isso trouxe um risco que poucos ponderam: o número não é seu. É uma conta numa plataforma que não controla, com regras que não negoceia, e que pode ser fechada sem aviso e sem ninguém para reclamar. Vale a pena saber onde estão as linhas.

O risco maior: perder o número

Contas de empresa são bloqueadas todos os dias, e quase sempre pela mesma razão: mensagens a quem não pediu. Basta que um número de pessoas denuncie ou bloqueie as suas mensagens para o sistema agir sozinho — e não há balcão onde explicar.

O que dispara o bloqueio Porquê
Enviar para uma lista comprada A forma mais rápida de perder um número. As pessoas denunciam, e o sistema conta.
Muitas mensagens novas de um número novo Um número recém-criado a iniciar centenas de conversas parece exactamente o que os sistemas procuram.
Ferramentas não oficiais de envio em massa São proibidas pelas regras da plataforma. Usar uma é contar com o bloqueio.
Mensagens denunciadas ou bloqueadas O conteúdo não é lido, mas a reacção das pessoas é contada. Uma campanha má queima o número em horas.
Se o número cair, cai tudo com ele. Não perde apenas a conta: perde o histórico de conversas, a lista de clientes que só existe ali, e o número que está impresso nos cartões, no site e na viatura. É por isso que o WhatsApp não deve ser a única forma de chegar aos seus clientes — o domínio e o e-mail são seus e ninguém os desliga: ver como escolher o domínio certo e como criar uma conta de e-mail.

Os outros riscos, por ordem de frequência

1 O número pessoal de um funcionário. Quando essa pessoa sair, leva os clientes com ela — e legalmente a conversa era dela. Use um número da empresa desde o início.
2 Sessões abertas em computadores alheios. Uma sessão de WhatsApp Web esquecida num portátil emprestado lê tudo o que chega, indefinidamente. Verifique os aparelhos ligados de tempos a tempos e termine os que não reconhece.
3 A cópia de segurança. As conversas viajam cifradas, mas a cópia que o telemóvel guarda na nuvem pode não estar, conforme as definições. Se guarda dados de clientes nas conversas, ligue a cifra da cópia.
4 Burla por conta clonada. Alguém copia a sua fotografia e o seu nome, cria uma conta parecida e escreve aos seus clientes a pedir dinheiro. Não o pode impedir, mas pode avisar os clientes de qual é o número verdadeiro — publique-o no site.
5 Pedido de código de verificação. Se receber um código que não pediu, alguém está a tentar tomar o seu número. Não o dê a ninguém, e ligue a verificação em duas etapas do próprio WhatsApp.

Dados de clientes numa conversa são dados pessoais

Moradas, telefones, fotografias de documentos, comprovativos de pagamento — tudo isso costuma acabar no WhatsApp, e continua a ser informação que tem de guardar com cuidado. Duas regras simples:

1 Não peça mais do que precisa. Fotografia do bilhete de identidade para uma encomenda de 500 meticais é risco a mais para si e para o cliente.
2 Não deixe tudo para sempre no telemóvel de quem atende. O que interessa passa para o sistema; o resto apaga-se. Ver protecção de dados pessoais.

Boas práticas que fazem diferença

1 Escreva primeiro a quem lhe escreveu. A conversa iniciada pelo cliente não tem risco nenhum. É a origem de contacto mais segura e a mais barata.
2 Faça as pessoas virem ter consigo. Botão no site, QR na montra, link na factura — ver pôr o WhatsApp no seu site. Vale mais do que qualquer lista.
3 Identifique-se na primeira mensagem. Nome da empresa e motivo. Uma mensagem de um número desconhecido sem contexto é denunciada.
4 Dê saída fácil. «Responda SAIR para não receber mais.» Quem sai da lista sem atrito não denuncia, e denunciar é o que custa o número.
5 Ritmo constante. Meses em silêncio e depois duzentas mensagens numa tarde é o padrão clássico de conta comprometida — e é tratado como tal.
6 Separe o pessoal do profissional. Dois números, ou pelo menos a aplicação Business só para o negócio — ver qual WhatsApp serve o seu negócio.
Envio em massa: a regra é a mesma de sempre. Se quer enviar a muita gente, o caminho legítimo é a API com modelos aprovados e destinatários que consentiram — e mesmo aí, marketing paga por mensagem. Tudo o resto — extensões de navegador, aplicações de envio automático, listas compradas — viola as regras da plataforma e acaba no mesmo sítio. Se o objectivo é alcance em massa, há canais feitos para isso: SMS marketing e e-mail marketing.

O que fazer se a conta for bloqueada

1 Peça revisão pela própria aplicação, que é o único caminho que existe. Seja breve e factual.
2 Avise os clientes por outro canal — e é aqui que se percebe o valor de ter e-mail e site próprios.
3 Não crie logo outra conta com outro número para fazer o mesmo. Se a causa foi o comportamento, a segunda cai mais depressa.
E se não quiser tratar do envio? Fazemos envio de e-mail em volume e de SMS com Sender ID próprio, para Moçambique e Angola — com o domínio autenticado, a lista tratada e o relatório de entrega. Não é um produto de prateleira: depende do volume, dos países e da frequência. Diga-nos o que precisa e respondemos com uma proposta. Ver e-mail marketing e SMS marketing.

Quer montar o contacto de forma a não depender de um só canal?

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